A cinegrafista húngara Pietra Lázló foi condenada na última sexta-feira, dia 13, a três anos de prisão em liberdade condicional, comutados em serviços comunitários.
 

Em setembro de 2015, a cinegrafista foi filmada chutando refugiados enquanto faziam a travessia da fronteira com a Sérvia. 
 

“O comportamento da jornalista não condiz com as regras da sociedade”, disse o juiz Illes Nanasi durante a sentença. Ele rejeitou os argumentos dos advogados de que ela teria agido em legítima defesa.
 

Reunidas em Jundiaí (SP) para momentos de formação, as Irmãs Scalabrinianas  também se manifestaram sobre a condenação da jornalista. As religiosas atuam na defesa dos direitos humanos dos refugiados e imigrantes em países como Suíça, Colômbia, Equador, Alemanha, Itália e Brasil.
 

“Uma coisa é condenar a pessoa, outra é a condenação do gesto”, afirmou a missionária italiana, Etra Modica. 
 

Para ela, o gesto de violência precisa ser bloqueado em primeiro lugar na mente e depois no coração. A condenação de Lázló chama a atenção para que sejam controladas e educadas as reações humanas.

 

“Nós como Scalabrinianas devemos ensinar os imigrantes a perdoar os males que recebem pelo caminho e que invistam em pensamentos positivos, e o perdão é um investimento. Quando investimos em sentimentos positivos, em ações positivas, atitudes caridosas, fatos como este se tornam uma ocasião de aprendizado”, afirmou.

 

Irmã Ermelinda Pettenon, também italiana, de Padova, trabalhou com  imigrantes na Suíça até o ano passado e hoje atua na casa de acolhida em  Roma com imigrantes. Ela conta que, quando soube da atitude de cinegrafista, levou o assunto para discussão entre religiosas, leigos e imigrantes na Suíça, que também ficaram indignados.
 

Sobre a condenação, Irmã Ermelinda recorda o ano da misericórdia proposto pelo Papa Francisco que convida os cristãos ao perdão.
 

“Se se dá o perdão, se recebe o perdão. Sem dúvida foi um momento de angústia para o mundo inteiro. Quanto a este fato deixemos que Deus o julgue, mas não podemos permanecer indiferentes”, disse.

 

Signis Brasil/Scalabrinianas