Entre os dias 19 e 21 de dezembro, Manaus (AM) sediou encontro que reuniu o Comitê Ampliado da Repam-Brasil para avaliar 2016 e traçar as linhas prioritárias para o futuro da Rede Eclesial na Amazônia Legal e a caminhada para 2017.

 

Nas discussões, buscou-se ter presente o panorama atual da história do Brasil e da humanidade. Destacou-se a crise econômica, as “pragas” da guerra, da corrupção e da violência e o fenômeno das migrações forçadas – todas consequências de uma crise caracterizada pela perda de valores referenciais, como a vida e dignidade humanas, o direito à existência das diferentes espécies vegetais e animais que sofrem a incontrolável destruição na região Pan-Amazônica.

 

“A Igreja na Amazônia precisa ser samaritana e profética. Sim, samaritana para curar as feridas, cuidar dos machucados. Mas, sobretudo, necessita ser profética e denunciar as causas que ferem e machucam o ser humano e destrói a biodiversidade na região. É preciso ir à raiz do problema”, enfatiza dom Erwin Krautler, bispo emérito do Xingu (PA), Secretário da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil).

 

Foram colocados em pauta ainda os projetos predatórios que se alastram, pelos rios e pelas matas, na região, e que não levam em conta os direitos da natureza, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, que, desde sempre, convivem em harmonia e respeito com o ambiente, na casa comum. Com isso, propaga-se à exclusão social, à discriminação dos povos da floresta e das comunidades tradicionais, ao inchaço das periferias pobres dos centros urbanos amazônicos.

 

Fé e vida – Em um momento de espiritualidade, os participantes do Encontro foram convidados a contemplar imagens de rostos de amazônidas como apelo concreto que motivam o caminho missionário da Igreja na região. “São os rostos reais que provocam e dão sentido à missão da Rede Eclesial Pan-Amazônia”, ressaltou o Secretário-Executivo da Rede Eclesial Pan-Amazônica, Mauricio Lopéz.

 

Ele lembra que a Repam surge para ajudar a encontrar respostas e fazer um caminho concreto no serviço às pessoas que são imagens do “rosto de Deus encarnado”.

 

“A Repam busca ser uma Rede Eclesial que articula as forças da Igreja em um caminho progressivo na defesa da Casa Comum e dos povos”, ressalta Lopéz.

 

Os participantes também avaliaram os Seminários sobre a Laudato Sì, que estão acontecendo em várias dioceses e prelazias da Amazônia Legal. Refletiu-se sobre os sujeitos prioritários da Repam-Brasil, sobre as prioridades da Rede e os eixos de atuação, como a defesa da vida, dos territórios e dos direitos humanos dos povos tradicionais: Indígenas, das florestas, das águas, quilombolas, camponeses, mulheres, no contexto rural e urbano.

 

Além disso, discutiu-se o acompanhamento dos movimentos sociais urbanos, rurais e às suas causas. A necessidade do enfrentamento ao modelo de exploração predatório e os seus megaprojetos, fazendo denúncias, fortalecendo resistências e contribuindo com geração de alternativas, à luz da Ecologia Integral. Dedicou-se atenção à circulação nas fronteiras, migrações forçadas, enfrentamento ao tráfico humano e à exploração sexual.

 

Por fim, foi destacado o apoio a “sistemas produtivos”, que geram renda para os povos originários na floresta e nas cidades à Luz da Ecologia Integral e o cuidado e defesa das águas, dos mananciais e nascentes, como bem comum de acesso universal.
 


Signis Brasil/REPAM-Brasil