No dia 27 de julho, no marco da assinatura do “Manifesto pela Transparência”, que busca evitar o mal uso do orçamento para a visita do Papa a Colômbia, o vice-presidente do país, Óscar Naranjo, assegurou que “sem dúvidas” não participarão da organização do evento as empresas ligadas ao caso de corrupção que afetou a Colômbia e ao menos outros 11 países, no qual a construtora Odebrecht realizava atividades.

“Sem dúvidas, não seria de outra forma e não explicaria justamente esta convocação que o governo e a vice-presidência em concreto tenham aqui o senhor Procurador Geral da Nação e o senhor Procurador, porque queremos dar essa certeza de transparência total, de integridade total e eficácia total na execução desse orçamento”, disse Naranjo ante as perguntas da imprensa.

O Manifesto pela Transparência foi assinado pelo vice-presidente da Colômbia, Óscar Naranjo, o Procurador Geral da Nação, Néstor Humberto Martínez, o Procurador Geral da República, Fernando Carrillo, e a Controladoria Geral da República.

Estima-se que a Odebrecht dispôs de mais de 3 bilhões de dólares para corromper funcionários e, assim, assegurar contratos de construção pelo menos em 12 países.

No escândalo se viram acusados políticos da América Latina, como o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-presidentes do Peru, Alejandro Toledo e Ollanta Humala, e os ex-ministros colombianos Óscar Iván Zuluaga Escobar e Gabriel García Morales.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, também se viu envolvido na controvérsia, depois que foi revelado em meados de março deste ano que sua equipe de campanha recebeu em 2010 aportes da Odebrecht.

Santos, em um vídeo publicado em sua conta de Twitter em 14 de março, pediu que o caso fosse esclarecido “o mais rápido possível” e disse: “Lamento profundamente e peço desculpas aos colombianos por este fato vergonhoso que nunca deveria ter acontecido e que acabo de ficar sabendo”.

Durante a coletiva de imprensa de 27 de julho, o vice-presidente da Colômbia assinalou que o governo dispôs de um orçamento de 28 bilhões de pesos (cerca de 9,3 milhões de dólares) para os eventos da visita do Papa ao país.

Desse total, 6 bilhões de pesos serão destinados aos eventos em Bogotá, outros 6bilhões para Medellín, 5 bilhões para Villavicencio e 5 bilhões para Cartagena.

O restante será destinado à “transmissão de televisão do evento, que tem a ver com responsabilidades específicas do governo da Colômbia”, disse Naranjo.

O vice-presidente da Colômbia destacou que o dinheiro servirá para o esforço de dispor “milhares de funcionários, não apenas da força pública, policial, militares, mas também médicos, serviços de saúde, assistenciais que deverão chegar a cada local”.

Além disso, afirmou, “calculem os custos atribuídos a cada uma dessas Missas, onde há necessidade de montar palcos, vesti-los com toda a tecnologia, luz, som etc.”.

“Um assunto central é a transmissão de televisão. A Colômbia emitirá um sinal de televisão que realmente poderá chegar segundo nos foi dito a 160 ou 220milhões de espectadores no mundo”, assegurou.

Os ingressos para os eventos do Papa são gratuitos

O vice-presidente da Colômbia sublinhou que “os ingressos, os tíquetes, que através das paróquias o Episcopado está entregando aos paroquianos, primeiro não têm custo algum e segundo não são requisitos necessários para participar das Missas programadas em cada uma das cidades”.

“O significado desses ingressos é que a Igreja quer um pré-registro de seus fiéis nas paróquias para ter uma estimativa de participação nesses atos, desses eventos multitudinários”, disse.

O ingresso também traz a informação e orientação para chegar ao evento e localizar-se, explicou.

Signis/Acidigital