O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem acompanhado os últimos acontecimentos na Venezuela e está preocupado que uma "escalada nas tensões políticas irão distanciar o país de um caminho propício para que seja encontrada uma solução pacífica para os desafios do país".

A declaração foi feita por seu porta-voz a jornalistas nesta terça-feira, na sede da ONU, em Nova Iorque.

Negociação

Segundo Stephane Dujarric, "neste momento crítico para o futuro do país, o secretário-geral faz um apelo a todos os venezuelanos, especialmente os que representam poderes do Estado que tomem todas as medidas possíveis para diminuir as tensões, evitar mais violência e perda de vidas, assim como encontrar avenidas para um diálogo político".

O porta-voz declarou ainda que o chefe da ONU reiterou sua convicção de que uma negociação política entre o governo e a oposição é "urgentemente necessária" e está "convencido de que o único caminho adiante é uma solução política".

Dujarric disse ainda que o secretário-geral reconhece os esforços de facilitadores internacionais e líderes regionais que têm apoiado o governo venezuelano e a oposição, tentando chegar a um acordo, e reiterou seu pleno apoio a essas ações.

Direitos Humanos

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, expressou sua "profunda preocupação" com o fato de os líderes da oposição Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma terem sido detidos mais uma vez por autoridades venezuelanas após sua prisão domiciliar ter sido revogada.

Zeid fez um apelo ao governo para que "solte imediatamente todos os que estão sendo detidos por exercerem seus diretos à liberdade de reunião pacífica, associação e expressão".

Segundo o Escritório de Direitos Humanos, o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenções Arbitrárias considera a detenção tanto de Lopez quanto de Ledezma como arbitrária.*

Mortes

O alto comissário também lamentou que pelo menos 10 pessoas tenham morrido na Venezuela no fim de semana, em meio a manifestações relacionadas às eleições para a Assembleia Constituinte, segundo relatos.

Ele defendeu que as investações sobre as mortes devem ser conduzidas de forma “rápida, eficaz e independente, com plena cooperação do governo".

Zeid fez um apelo às autoridades para que não agravem "uma situação que já é extremamente volátil" com o "uso excessivo de força, incluindo através de invasões domésticas violentas pelas forças de segurança que ocorreram em várias partes do país".

 

 

Signis Brasil/UN